Conhecendo o Autismo

Níveis de suporte do autismo: o que significam 1, 2 e 3

Entenda os níveis de suporte 1, 2 e 3 do autismo, o que mudou em relação a autismo leve ou grave e por que o nível pode mudar ao longo da vida.

Capa do artigo: Níveis de suporte do autismo: o que significam 1, 2 e 3
Neste artigo
  1. Por que existem níveis?
  2. Os três níveis
  3. O nível pode mudar?
  4. E a deficiência intelectual e a linguagem?
  5. O que o nível muda na prática?

No laudo, é comum aparecer algo como "TEA, nível de suporte 2". Muita gente fica na dúvida: isso é grave? É leve? Vai mudar? Neste artigo explicamos o que cada nível significa e, principalmente, o que não significa.

Por que existem níveis?

Antes de 2013, os diagnósticos eram divididos em categorias como autismo clássico, síndrome de Asperger e transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação. Com o DSM-5, tudo passou a ser chamado de Transtorno do Espectro Autista, e a variação entre as pessoas passou a ser descrita pelos níveis de suporte. A CID-11, que o Brasil está adotando, segue a mesma lógica de espectro.

O nível ajuda a planejar que tipo e quanta ajuda a pessoa precisa. Ele serve a escolas, serviços de saúde e planos de apoio. Não mede inteligência, valor ou potencial.

Os três níveis

NívelNomeComo costuma aparecer
1Exige apoioFala e comunica, mas tem dificuldade em iniciar e manter conversas, em entender regras sociais não ditas e em lidar com mudanças. Sem apoio, as dificuldades causam prejuízos visíveis.
2Exige apoio substancialDificuldades claras mesmo com apoio: fala limitada a frases simples ou temas restritos, comunicação não verbal estranha, comportamentos repetitivos frequentes que atrapalham várias situações. Sofre muito com mudanças.
3Exige apoio muito substancialPoucas palavras ou sem fala funcional, comunicação muito limitada, grande dificuldade com mudanças e comportamentos repetitivos intensos que interferem em quase tudo. Precisa de apoio constante.

Nível 1 não é "leve"

Quem está no nível 1 pode ter boa fala e bom desempenho escolar, e mesmo assim passar por exaustão, ansiedade, isolamento e esforço enorme para "disfarçar" o autismo, o chamado masking ou camuflagem. Muitas vezes essas pessoas são diagnosticadas tarde, principalmente meninas e mulheres (leia Autismo em meninas). Chamar de "leve" pode levar à negação de apoio de que ela precisa.

Nível 3 não é "sem futuro"

Pessoas com necessidade de apoio muito substancial aprendem, se comunicam (muitas vezes por figuras, gestos ou tecnologia, a chamada comunicação alternativa) e têm preferências, afeto e conquistas. O objetivo é oferecer o apoio certo para que tenham a melhor qualidade de vida possível.

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O nível pode mudar?

Sim. O nível descreve a necessidade de apoio em determinado momento. Ele pode diminuir com terapias adequadas, escola preparada e ambiente acolhedor, e pode aumentar em fases de estresse, mudanças grandes, doença, puberdade ou sobrecarga. Por isso, algumas famílias recebem relatórios com revisões periódicas.

Também é possível que uma pessoa precise de apoio diferente em cada área: por exemplo, comunicação social no nível 1 e comportamentos repetitivos no nível 2. O profissional que avalia deve explicar isso.

E a deficiência intelectual e a linguagem?

O nível de suporte não é o mesmo que QI. O laudo costuma informar, além do nível, se há ou não comprometimento intelectual e comprometimento de linguagem, porque isso muda o planejamento das terapias e da escola. Uma pessoa pode ter nível 1 com atraso de fala, ou nível 2 com ótima memória e leitura precoce.

O que o nível muda na prática?

  • Terapias: o plano considera o nível e as necessidades de cada área.
  • Escola: pode orientar a necessidade de mediador ou acompanhante especializado e o PEI.
  • Benefícios: o nível, por si só, não define acesso. Para BPC e outros direitos, o que conta é a avaliação da deficiência e das barreiras, além dos critérios de cada benefício.
  • Direitos básicos: qualquer nível garante os direitos da Lei Berenice Piana. Veja Direitos da pessoa com autismo.
Autismo nível 1 é o mesmo que síndrome de Asperger?

Não exatamente. "Asperger" era um diagnóstico antigo; hoje todos esses casos entram no TEA. Muitas pessoas que se identificavam com Asperger hoje têm diagnóstico de TEA nível 1, mas o termo deixou de ser usado oficialmente.

Quem define o nível de suporte?

O médico ou a equipe que faz o diagnóstico, com base na avaliação clínica e em instrumentos. Se o laudo não trouxer o nível, você pode pedir.

O nível 3 sempre significa que a pessoa não fala?

Não necessariamente, mas costuma envolver comunicação verbal muito limitada. Muitas dessas pessoas se comunicam por outros meios.

O nível de suporte da criança vai melhorar com terapia?

Pode melhorar em algumas áreas, mas cada caso é único. O mais importante é o desenvolvimento e o bem-estar da pessoa, não "baixar o número".

O nível aparece no laudo?

Deve aparecer. Veja o que mais um laudo bem feito precisa conter em Laudo de autismo.

Entender os níveis ajuda a conversar melhor com a equipe e com a escola, mas lembre-se: por trás de qualquer número existe uma pessoa com gostos, jeito e história próprios.

Fontes e referências

Equipe Autismo e Família
Somos uma família atípica que transformou a busca por respostas em informação clara para outras famílias. Pesquisamos em fontes oficiais antes de publicar. Veja como produzimos o conteúdo. Este texto é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

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