CIPTEA: como tirar a carteira de identificação do autista
Saiba o que é a CIPTEA (Lei Romeo Mion), para que serve, quais documentos são necessários e como solicitar a carteira da pessoa com autismo.
Neste artigo
Fila de banco, atendimento no hospital, aeroporto, prioridade na escola: em todos esses lugares, uma pergunta simples pode virar constrangimento: "como provar que ele é autista?" A CIPTEA nasceu para resolver isso. Veja o que é e como providenciar.
O que é a CIPTEA?
É um documento de identificação que informa que a pessoa tem diagnóstico de TEA, e traz dados como nome, foto, número de registro, tipo sanguíneo (quando disponível), contato do responsável e, em alguns locais, o QR Code. Foi criada pela Lei Romeo Mion (Lei 13.977/2020), que alterou a Lei Berenice Piana, e recebeu esse nome em homenagem ao filho do apresentador Marcos Mion, que é autista.
Para que serve?
- Atendimento prioritário em locais públicos e privados: filas, bancos, comércio, serviços de saúde, repartições.
- Comprovação rápida do diagnóstico, sem precisar carregar o laudo.
- Facilitar o acesso a serviços e benefícios que exijam a comprovação da condição.
- Em emergências ou situações de perda, ajudar a identificar a pessoa e o responsável.
- Apoiar o pedido de adaptações em escolas, transportes e eventos.
A CIPTEA é uma ferramenta de facilitação, e não a única prova do diagnóstico: o laudo continua sendo o documento-base. Para saber mais direitos, leia Direitos da pessoa com autismo.
Quem pode ter?
Toda pessoa com diagnóstico de TEA, de qualquer idade ou nível de suporte. A solicitação é feita pela própria pessoa (se adulta) ou pelo responsável legal (crianças e adolescentes).
Como solicitar: passo a passo
As regras variam entre estados e municípios, mas o caminho costuma ser:
- Descubra onde emitir na sua cidade ou estado. Pergunte na secretaria de assistência social, saúde, direitos humanos ou da pessoa com deficiência. Em alguns locais o pedido é online, em outros presencial.
- Reúna a documentação (pode haver variação):
- Requerimento preenchido (fornecido pelo órgão);
- Foto 3×4 recente;
- Documento de identidade (RG) e CPF da pessoa; se menor, certidão de nascimento ou RG;
- Documentos do responsável legal;
- Comprovante de residência;
- Laudo ou relatório médico com CID e indicação do TEA (algumas localidades pedem que seja recente);
- Dados de contato de emergência e, quando solicitado, tipo sanguíneo.
- Faça o pedido, protocole e guarde o comprovante.
- Aguarde a emissão e retire a carteira (física ou digital).
- Faça cópias e foto da carteira e guarde junto com o laudo.
Quanto custa e quanto tempo demora?
A emissão deve ser gratuita. O prazo depende do órgão: algumas cidades emitem em dias, outras levam semanas ou meses. Se houver demora excessiva, cobre por escrito e procure a ouvidoria, a Defensoria ou o Ministério Público.
Validade e atualização
A lei prevê que a carteira seja revalidada com periodicidade não inferior a cinco anos, para atualizar dados cadastrais. Verifique o prazo no seu documento e no órgão emissor.
E se na minha cidade ainda não emitem?
A lei vale em todo o país, mas a regulamentação e a estrutura de emissão dependem dos entes locais. Se não conseguir a CIPTEA:
- Procure a secretaria estadual ou a Defensoria Pública para saber o caminho.
- Use o laudo e o relatório médico para comprovar o diagnóstico e solicitar prioridade.
- Considere o cordão de girassol (veja abaixo).
- Cobre a regulamentação junto à sua prefeitura e à Câmara de Vereadores, em conjunto com outras famílias.
CIPTEA x cordão de girassol
São coisas diferentes e complementares:
- CIPTEA: documento de identificação, com dados e comprovação.
- Cordão de girassol: símbolo para deficiências ocultas, reconhecido pela Lei 14.624/2023. Quem usa sinaliza que pode precisar de atenção, paciência ou atendimento prioritário. Não substitui o laudo nem a CIPTEA, mas ajuda no dia a dia.
Dicas
- Digitalize e guarde cópias em nuvem e no celular.
- Leve a carteira em passeios, viagens e na escola. Veja Viagem com criança autista.
- Atualize os dados de contato do responsável.
- Se o estabelecimento negar atendimento prioritário, peça o nome do responsável, registre a ocorrência e procure o Procon, a ouvidoria ou a Defensoria.
A CIPTEA é obrigatória?
Não. É um direito, e não uma obrigação. Mas facilita a comprovação do diagnóstico.
A CIPTEA vale em todo o Brasil?
A lei é federal, e a carteira deve ser reconhecida em todo o país. Na prática, a adoção e o reconhecimento podem variar, por isso leve sempre o laudo.
Quem tem CIPTEA tem direito ao BPC?
Não automaticamente. O BPC exige critérios próprios de deficiência e renda. Leia BPC e autismo.
Adultos podem solicitar a CIPTEA?
Sim. Basta apresentar o laudo e os documentos pessoais.
Posso tirar a CIPTEA com laudo antigo?
Depende das regras do órgão. Algumas localidades exigem laudo recente, e outras aceitam relatórios mais antigos. Consulte o órgão emissor.
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